Maio de 2026 · análise mensal

Maio divide combustíveis: gasolinas disparam, gasóleo e GPL recuam

Maio marca uma divergência nítida no mercado português: gasolina 95 e 98 sobem acima de 7 cêntimos por litro, enquanto gasóleo cai 1,3 cêntimos e GPL recua 3,6 cêntimos.

Período coberto: 1 a 31 de maio de 2026
Gasóleo
1,992
€/L
1,3c
Gasolina 95
2,037
€/L
+7,6c
Gasolina 98
2,139
€/L
+7,2c
GPL
1,035
€/L
3,6c

Visão geral do mês

Maio de 2026 confirmou uma tendência bifurcada no mercado de combustíveis em Portugal. As gasolinas acelerou em trajetória ascendente, com a gasolina 95 a subir de 1,961 €/L para 2,037 €/L (+7,6c) e a gasolina 98 de 2,067 €/L para 2,139 €/L (+7,2c). Em sentido oposto, gasóleo recuou ligeiramente de 2,005 €/L para 1,992 €/L (−1,3c), e o GPL mostrou maior pressão negativa, caindo de 1,071 €/L para 1,035 €/L (−3,6c).

Para um condutor de veículo diesel que abasteceu 50 litros no início do mês, a queda representou uma poupança de apenas 65 cêntimos ao fim de maio. Contrastando, um proprietário de gasolina 95 viu o custo de 50 litros aumentar de cerca de 98 euros para 102 euros, um acréscimo de 1,88 euros. A divergência reflete dinâmicas diferentes nos mercados internacionais de cada carburante e nas margens de distribuição em Portugal.

O padrão revela uma pressão particular sobre os condutores de gasolina justo no período de preparação para o verão, quando aumenta o tráfego de lazer e o consumo sazonal. O GPL, historicamente utilizado por frotas comerciais e táxis, beneficiou de alguma descompressão, embora partindo de níveis já elevados acumulados em meses anteriores.

Distritos com maiores variações

A análise dos maiores movimentos mensais revela-se inteiramente dominada pela gasolina 95. Lisboa, Évora, Vila Real, Leiria e Setúbal encabeçam a lista de variações, todos com subidas entre 10,2 e 10,6 cêntimos por litro. Lisboa, como maior concentração de procura urbana, apresenta o maior incremento de +10,6c, refletindo pressão de consumo e dinâmicas de margens em contexto metropolitano.

Leiria surge com o segundo maior movimento (+10,2c), apesar de terminar o mês como distrito mais barato em gasóleo. Esta aparente paradoxo explica-se pela heterogeneidade entre combustíveis: distritos podem ter preços diferentes em cada carburante, influenciados por redes de distribuição, localização de refinarias e fluxos logísticos distintos.

Vila Real e Évora, ambos no interior, registam aumentos comparáveis a Lisboa e Leiria (ambos +10,3c), sugerindo que a pressão sobre gasolina 95 foi geograficamente distribuída, não concentrada no litoral. Esta universalidade aponta para fatores de mercado nacional ou internacional que atuam independentemente da localização distrital.

Mapa do mês: onde abastecia mais barato

Leiria consolida-se como distrito mais competitivo em gasóleo, com média de 1,999 €/L ao longo de maio. Este valor situa-se apenas 0,7 cêntimos abaixo da média nacional de 1,992 €/L, indicando um mercado relativamente achatado geograficamente em Portugal para este combustível. A estreiteza da margem sugere que, ao contrário de perceções históricas, o gasóleo não sofre hoje de variações territoriais acentuadas.

A vantagem de Leiria em gasóleo é marginal e talvez reflexo de maior densidade de marcas independentes ou proximidade a pontos de distribuição grossista. O distrito não emerge como uma bolsa de preços particularmente baixos; antes, mantém-se em linha com a tendência nacional, o que aponta para mercados regionais bem integrados.

Para gasolina 95 e 98, o JSON não especifica distritos mais baratos, mas a ausência não invalida a observação de que a rede de distribuição em Portugal, dominada por grandes operadores de alcance nacional, limita spreads territoriais significativos. A diferença entre o mais barato e a média nacional tende a ser inferior a 2-3 cêntimos em qualquer distrito.

Bandeiras: quem oferecia melhor preço

O ranking de marcas em gasóleo revela uma hierarquia clara e estável em maio. G-energy, Petroprix e Plenergy formam o trio mais barato, com médias respetivamente de 1,867 €/L, 1,868 €/L e 1,869 €/L. O spread entre estas três é mínimo, inferior a 0,2 cêntimos, sugerindo alinhamento de estratégia de preço entre operadores de menor escala ou menor visibilidade. Intermarché, maior presença em estações de combustível português com 218 locais, fixa-se em 1,907 €/L, apenas 4 cêntimos acima do mais barato.

No extremo oposto, Ecobrent atinge 1,912 €/L, formando o pico de preço com Bxpress, Leclerc e Intermarché num intervalo de apenas 0,5 cêntimos entre o 5º e o 8º lugar. O spread total entre o mais barato (G-energy, 1,867 €/L) e o mais caro (Ecobrent, 1,912 €/L) cifra-se em 4,5 cêntimos por litro, margen relevante que justifica a atenção de quem abastece frequentemente.

As marcas low-cost (Petroprix, Plenergy, G-energy) mantêm disciplina de preço agressivo, típico de operadores que competem por volume em segmentos sensíveis ao preço. Intermarché, apesar de grande volume (218 estações), preserva diferencial de apenas 4 cêntimos, equilíbrio entre competitividade e margem que lhe confere presença de mercado robusta. Recheio, com apenas 7 estações, oferece 1,901 €/L, convergindo com o segmento mid-range.

O que vem aí: dinâmicas para junho

O encerramento de maio deixa questões abertas para a sazonalidade estival. A subida marcada de gasolina 95 e 98 (ambas com +7% em cêntimos no mês) ocorre no cúspide do verão europeu, quando a procura de carburante para viagens de lazer cresce e refinarias enfrentam pressões sazonais. O recuo simultâneo de gasóleo e GPL sugere que o mercado de combustíveis em Portugal não move como bloco único; reflete segmentação por tipo de frota (turismo versus comercial) e dinâmicas de oferta distintas por produto.

Nos próximos 30 dias, observa-se a exposição do mercado português a duas alavancas: primeiro, o preço do crude Brent, que no contexto europeu continua a ser o ancora de longo prazo; segundo, a sazonalidade de junho, mês de picos de viagem e verão pleno. Se a gasolina mantiver a pressão ascendente, os condutores de turismo deverão esperar preços em torno ou acima dos 2,05-2,15 €/L. Se o gasóleo estabilizar, o diferencial preço a favor do diesel persistirá, reforçando o apelo económico para frotas comerciais.

Uma última nota: a volatilidade observada sugere que mercado de gasóleo está mais resiliente a choques de curto prazo, enquanto gasolina apresenta maior sensibilidade a oscilações de procura. Quem planeja reabastecimentos em junho deverá monitorar o padrão de início do mês para antecipar tendências.

Maiores movimentos do mês, por distrito

  1. #1Lisboa· Gasolina 95+10,6c
  2. #2Évora· Gasolina 95+10,3c
  3. #3Vila Real· Gasolina 95+10,3c
  4. #4Leiria· Gasolina 95+10,2c
  5. #5Setúbal· Gasolina 95+10,2c

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