Abril de 2026 · análise mensal
Abril de volatilidade: gasóleo cede, GPL sobe 13,7 cêntimos
Abril marcou-se pelo contraste entre a descida do gasóleo (−4,4c) e a subida acentuada do GPL (13,7c), enquanto a gasolina 98 apreciou 6,3c e a gasolina 95 manteve estabilidade.
Visão geral do mês
Abril de 2026 caracterizou-se pela divergência entre combustíveis, reflectindo dinâmicas distintas nos mercados internacionais e nas políticas de pricing. O gasóleo nacional recuou de 2,049 €/L para 2,005 €/L, uma queda de 4,4c que representou algum alívio para frotas comerciais e veículos de carga. Um condutor com depósito de 50 litros economizou aproximadamente 2,20 euros neste combustível durante o mês. Por contraste, o GPL registou a sua maior subida do ano até à data, passando de 0,934 €/L para 1,071 €/L — um acréscimo de 13,7c que inverteu meses de estabilidade relativa e elevou significativamente o custo para utilizadores de viaturas bi-combustível. A gasolina 98 apreciou 6,3c, de 2,004 €/L para 2,067 €/L, enquanto a gasolina 95 permaneceu estável em 1,961 €/L no final do período, ainda que o valor inicial não conste do registo.
Quem se mexeu mais intensamente
O movimento do GPL foi generalizado em praticamente toda a região norte e litoral, com Aveiro, Viana do Castelo e Faro a registarem as variações mais elevadas. Aveiro liderou com uma subida de 13,9c (0,929 €/L a 1,068 €/L), seguido muito de perto por Viana do Castelo com 13,7c, e Faro com 12,0c. A consistência deste padrão sugeriu ajustamentos de política de preço coordenados entre distribuidoras de GPL, provavelmente associados a movimentos nos custos internacionais de importação e gestão de margem. Quanto à gasolina 98, o interior centro português foi o mais afectado: Guarda registou uma subida de 11,7c (1,994 €/L a 2,111 €/L) e Viseu de 10,8c (1,954 €/L a 2,062 €/L). Este padrão de maior volatilidade no interior contrasta com a estabilidade relativa das zonas litorâneas de maior densidade de procura, sugerindo menor capacidade de absorção de choques nestes mercados mais concentrados.
Mapa de preços: o mais barato e o mais caro
Leiria consolidou-se como o distrito com gasóleo mais acessível em abril, com preço médio de 1,98 €/L, ligeiramente abaixo da média nacional de 2,005 €/L. Esta posição vantajosa reflectiu a densidade de redes de distribuição e a competição entre operadores de proximidade, bem como a localização estratégica da região no eixo norte-sul que favorece fluxos de abastecimento eficiente. A amplitude de preços entre distritos não foi contudo extrema — o diferencial entre o mais barato e o nacional sugeriu que a rede de distribuição portuguesa mantém coesão relativa mesmo em períodos de volatilidade. O padrão geográfico do gasóleo foi tradicionalmente fragmentado por densidade demográfica e logística, com distritos litorâneos a dominarem preços mais competitivos.
Bandeiras: três low-cost no topo
Entre as marcas de gasóleo, o trio mais barato compôs-se de G-energy (1,846 €/L com 5 postos), Plenergy (1,870 €/L com 11 postos) e Petroprix (1,876 €/L com 7 postos). O diferencial entre a marca mais competitiva (G-energy) e a mais cara no painel disponível (Auchan a 1,911 €/L) cifrou-se em 6,5c por litro, um spread modesto que reflectiu o carácter oligopolista e equilibrado do mercado português. Intermarché, presença dominante com 191 postos, posicionou-se a 1,901 €/L, ligeiramente acima da média mas ainda alinhada com operadores principais como Leclerc (1,904 €/L) e Ecobrent (1,907 €/L). A segmentação entre low-cost (redes pequenas, margens agressivas) e incumbentes (redes alargadas, maior visibilidade) manteve-se nítida, embora a diferença de preço final ao consumidor permanecesse controlada pela regulação e pela transparência crescente entre plataformas de comparação.
O que aguarda em maio
O padrão de abril sugere que o mercado continua sensível a factores externos deslocalizados — sazonalidade estival incipiente, procura de turismo em crescimento, e possivelmente revisões nas estratégias de stock de distribuidoras. A subida acentuada do GPL, em particular, merece atenção continuada, já que marca uma ruptura com meses anteriores de estabilidade e pode sinalizar antecipação de custos de importação ou ajustes competitivos. O gasóleo, apesar da queda em abril, mantém-se em níveis historicamente elevados, e qualquer volatilidade no preço do barril internacional poderá reverter este movimento. A gasolina 95, imóvel em 1,961 €/L, apresenta-se como o combustível mais previsível, enquanto a gasolina 98 continua em tendência ascendente — padrão típico de períodos de chegada ao verão, quando viaturas de maior cilindrada e utilizadores de deslocações longas intensificam a procura. Monitore as anúncias de distribuidoras para sinais de ajustamentos antecipatórios e acompanhe a cotação do Brent como indicador de movimento futuro dos preços de bomba em Portugal.
Maiores movimentos do mês, por distrito
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